Pacto pela vida deve incluir desenvolvimento

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Na madrugada do dia 28 de março, Bruno Alves, de 26 anos, foi esfaqueado em Sobradinho II, cidade do Distrito Federal. Foi levado à 35ª Delegacia de Polícia, onde ficou agonizando por longo tempo, até amigos conseguirem um carro para levá-lo ao hospital, onde já chegou sem vida. Ele era filho de Santa Alves, presidente da Unegro no DF.
Bruno estava no grupo mais atingido por mortes violentas no Brasil: jovens de 15 a 29 anos, negro, de sexo masculino e morador da periferia das áreas metropolitanas. Foi mais uma vítima no Distrito Federal, que é uma das unidades federativas mais violentas, apesar de ter a maior renda per capita do país. No caso de mortes por arma de fogo, por exemplo, o DF está em 8º lugar. Registra mais homicídios por 100 mil habitantes do que São Paulo e Rio de Janeiro.
Para enfrentar esta dura realidade, o Governo do Distrito Federal lançou o programa Viva Brasília – Nosso Pacto pela Vida. Trata-se de um conjunto de iniciativas que tenta articular diversos órgãos ligados à segurança pública e a comunidade para diminuir a violência. Tem como modelo outras experiências, principalmente a desenvolvida em Pernambuco.
São estratégias que encaram a segurança pública não como uma guerra contra o inimigo interno, visão construída durante a ditadura militar, e sim como direito da cidadania garantidor da liberdade para as pessoas exercerem os demais direitos e usufruírem uma vida em paz.
A atual onda conservadora é uma ameaça ao modelo cidadão de segurança pública. Diante da abordagem sensacionalista e demagógica do aumento da violência, é retomada com força a ideia que a saída é o agravamento das penas, o mero aumento da repressão policial e a diminuição da maioridade penal.
Oxalá o Viva Brasília ajude a construir uma sociedade mais segura, com uma gestão democrática e cidadã da segurança pública. Mas também é preciso enfrentar as causas mais profundas da violência, como a extrema desigualdade social. Para isso, é necessário um projeto de desenvolvimento para o Distrito Federal, com a ampliação da inclusão social e da cidadania em nossa cidade.

Por Augusto Madeira, presidente do PCdoB-DF

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