No último fim semana em Brasília ocorreu o 10º Congresso de Trabalhadores na Educação Paulo Freire, organizado pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (SINPRO/DF). Aberto na noite de quinta, 27, sob o tema “Educação, Democracia e Direitos”, o evento, que homenageou o educador, teve a participação de palestrantes como o Doutor em Filosofia e Teologia, Ecologista, Escritor e Professor universitário, Leonardo Boff, o filósofo e cientista político, Emir Sader, o jornalista e apresentador da rede Record, Paulo Henrique Amorim, e Altamiro Borges, jornalista editor da revista Debate Sindical e do site Vermelho.

Numa palestra que absorveu cada um dos presentes, Boff falou sobre pontos específicos dos assuntos em questão, mas deu um destaque maior para Ecologia. Segundo afirmou, fez com o objetivo de provocar inquietação sobre a importância de voltarmos os olhos à situação do planeta, para garantir a preservação da vida. “A Educação, toda ela, precisa ser ecologizada. Quando digo que devemos ecologizar, é porque entendo que, depois da família, é a Educação que inicia as pessoas com hábitos novos, valores, princípios e visões para a sociedade que nós queremos construir juntos”. Para ele isso só se dará por meio da “ecologização mental, social, cotidiana, integral”.

O ecologista trouxe ainda informações sobre a situação crítica em que a “mãe terra”, como escolheu chamar, se encontra – em extrema sobrecarga de bens e serviços. Declarou que hoje o planeta está em grande deficiência, com a terra em fase de insustentabilidade. O palestrante alertou para o fato da humanidade estar à beira de um colapso da civilização nos próximos decênios, por conta do desmatamento e outras devastações realizadas pelo homem. “Levo avante esta mensagem para todos os lados, até como uma espécie de responsabilidade ética e que faz parte da consciência coletiva do Brasil e do mundo”.

O escritor premiado internacionalmente também considerou o tema do evento essencial para a atual conjuntura. “São três eixos fundamentais (Educação, Democracia e Direitos) ameaçados, a nível mundial, pelo avanço do pensamento conservador e da Direita”.

A programação teve mesas de debates, com discussões sobre Conjuntura Internacional, Nacional e Local, Saúde do Trabalhador, Avaliação e Meritocracia, Reforma Política, Pré-Sal e Financiamento da Educação, Diversidade, Direitos Humanos e Gênero, América Latina, Debate Sindical, Violência nas Escolas e demais assuntos relacionados à educação brasileira. Na ocasião houve ainda o lançamento da cartilha Lei do Ensino da História e Cultura da África (desde de 2003 as escolas são obrigadas a inserir no currículo a história afro-brasileira nas áreas social, econômica e política).

No tópico Mídia e Comunicação, Paulo Henrique Amorim falou sobre regulação da mídia, publicidade federal e, com o apoio dos congressistas, criticou o governo por anunciar e conceder entrevistas a emissoras, jornais partidários, que investem pesado para derrubar a presidenta Dilma. “Se você desligar a Globo o Brasil melhora. A mídia técnica do Governo Federal veicula anúncios na Veja, Globo, nesses veículos, que no meu site eu chamo de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Lamentavelmente algumas instituições, inclusive sindicais, ligadas à esquerda, que são destruídas, maltratadas, negligenciadas, vilipendiadas pelo PIG, anunciam no PIG! É um fenômeno de masoquismo político, de autoimolação, é como o GF faz – paga para apanhar, paga para sofrer”, afirmou sob aplausos.

Cinco membros da direção do SINPRO/DF atuam também na diretoria da CTB no Distrito Federal, o que contribuiu para o destaque da central no evento. Os cetebistas, além de compor e coordenar mesas de debates com temas importantes, em seus discursos divulgaram o trabalho que a central vem realizando desde que foi fundada, suas bandeiras de luta em defesa do trabalhador na Educação, chamando a atenção dos participantes para o apoio que a CTB sempre disponibilizou à categoria.

Manoel Filho, diretor do sindicato dos professores e ligado à central, falou sobre os objetivos do encontro. “Nós estamos no 10º Congresso, com a perspectiva de fortalecer a classe para as lutas vindouras, tanto do ponto de vista da sua formação, como também da preparação para as questões imediatas. Tivemos recentemente uma marcha patrocinada pela Direita aonde vimos uma agressão ao legado deste brilhante educador, com um cartaz ofensivo que dizia: Basta de Paulo Freire! Isto chocou e nos motivou a homenageá-lo, resgatar a sua história, na intenção de fortalecer e informar as novas gerações do quão importante ele é, não só para a Educação brasileira, mas mundial”, declarou.

Membro da CTB e diretora do SINPRO/DF, Zezé Barreto, que coordenou os debates sobre Assédio Moral e Saúde do Trabalhador, avaliou o Congresso como oportuno e essencial para o momento que o País atravessa. “O tema do nosso evento foi muito atual. Inspirados pelo grande P. Freire, tratamos de temas atuais, políticos, pedagógicos, que realmente falam a respeito do que está acontecendo hoje no Brasil. Foram três dias e meio de muita riqueza, com muita interação, diálogo e nós consideramos que a CTB teve uma participação muito efetiva nos trabalhos. Estamos satisfeitos, principalmente, por dar visibilidade ao trabalho da nossa central. Distribuímos materiais importantes sobre a entidade, que dialogaram realmente com a categoria”.

De Brasília, Ruth de Souza

Anúncios