A versão mais conhecida, que crise é representada em chinês por dois ideogramas, um que representa risco ou perigo e o outro, oportunidade, é contestada por alguns. O segundo sinal para esses representaria, quando isolado, ponto crucial. Portanto, a tradução correta seria momento ou ponto crucial de perigo. Seja lá como for, os reflexos da crise econômica no Distrito Federal estão cada vez mais para lá de perigosos.

Por Augusto Madeira, presidente do PCdoB-DF

A construção civil já totaliza mais de 40 mil desempregados sem perspectivas de colocação. As obras pararam em Brasília.

As vendas no comércio caíram 6% nos últimos sete meses e há 212 mil pessoas sem trabalho.

A extrema lentidão na aprovação dos projetos por parte do governo, o atraso nos pagamentos, insegurança no comércio e ausência de projetos para a cidade são apontados como questões que agravam a recessão econômica.

No governo Rollemberg, a falta de gestão e burocracia emperram alvarás para novos empreendimentos. A ausência de base política e a instabilidade na administração, com sucessivas trocas de secretários de áreas cruciais, são outros problemas que turbinam a crise entre nós. Já se fala em um êxodo de empresas para Minas Gerais, Goiás, Bahia e outros estados, em fuga de ambiente tão adverso ao investimento.

Alguns chegam a falar de um “genocídio de empresas” em Brasília. Exagero ou não, a mensagem que fica é que as coisas por aqui não vão bem.

Este seria o momento de o governo tentar encontrar as tais oportunidades. Temos vantagens comparativas. Por exemplo: a maior renda per capita do Brasil; empregos públicos que se mantêm, mesmo em tempos de crise, e pessoas dispostas a trabalhar e empreender. Com Anápolis e Goiânia, formamos o terceiro mercado consumidor do país que trás de fora 70% do que produz. Há espaço para alternativas, energias a serem exploradas.

Em vez de ficar procurando culpados para tudo, é dever do governo apontar soluções, despertar esperanças e resolver problemas. Foi para isso que pediu votos e foi eleito.

Faz falta uma liderança para conduzir amplo diálogo na sociedade, apresentar um projeto de desenvolvimento e ideias criativas, ou seja, agir. Do jeito que vai, perdemos as oportunidades e experimentamos um grande retrocesso social e econômico no Distrito Federal.

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