Por Oliver Oliveira*

Mais uma triste notícia toma conta das páginas dos jornais. Esse assassinato se soma aos milhares que acontecem todos os dias em nosso país, que podem ser observados na recente pesquisa intitulada “Mapa da Violência 2015”. Acesse aqui a pesquisa completa (http://www1.brasilia.unesco.org/…/MapaDaViolencia2015Mortes…).

A mortalidade por causas naturais na faixa etária de 0 a 19 anos caiu drasticamente nas últimas décadas. As mortes, de 1980 e 2013, passaram de 228.485 para 53.852, uma queda de 76,4%. Infelizmente, essa queda não pode ser verificada nas mortes por causas externas. Essas passaram de 16.457 em 1980 para 22.041 em 2013. Um aumento de 33,9%.

Em 2013 morreram 75.893 crianças e adolescente na faixa etária de 0 a 19. Ao avançar da idade a proporção de mortes por causas naturais, em relação às causas externas, vai caindo significativamente. Até que, aos 14 anos, as causas externas ultrapassam as naturais. E aos 18 anos, os óbitos por causas externas atingem seu maior índice, 77,5% do total de mortes.

E dessas causas externas o homicídio é a maior. Até os 11 anos, representa 2,5% do total de mortes. E atinge seu ponto máximo aos 17 anos, com 48,2% das mortes. Só para ter uma ideia, em 2013, dos 4.592 jovens de 17 anos mortos, quase a metade (2.215) foi por homicídio (48,2%). E essa tendência vem crescendo cada dia mais, ao ponto de ser estimado que neste ano, de 2015, a metade das mortes de jovens de 16 e 17 anos será por homicídio.

Outro dado alarmante é o crescimento gigantesco das mortes de jovens negros, em relação aos jovens brancos, que vem diminuindo. Ambos na faixa etária de 16 e 17 anos. Na população jovem branca, a taxa caiu 16,7%, enquanto na população juvenil negra houve um aumento de 32,7%. Com esse diferencial, o índice de vitimização de adolescentes negros pula de 71,8% em 2003 – morrem proporcionalmente 71,8% mais negros que brancos – para 173,6% em 2013 (173,6% mais negros que brancos). Se formos fracionar pelos dias, os dados indicam que, a cada dia, 28 jovens negros e das periferias são assassinados. Um verdadeiro genocídio dessa parcela da população.

Esses dados são importantes para refletirmos onde estamos errando. Pois a cada dia, as armas de fogo (que são as principais causadoras das mortes por causas externas) chegam cada vez mais cedo nas mãos dos nossos jovens. De onde chegam essas armas? Elas vêm de algum lugar. É preciso um atravessador grande para que essas armas cheguem às mãos desses jovens.
O que é chocante é que muitos desses homicídios são jovens matando jovens. Índices elevadíssimos, que se equivalem a países que em situação de guerra. Por isso, temos que aprofundar essa discussão. Não podemos nos mover com discursos revanchistas ou com saídas magicas. Temos que ir a fundo nesse debate. Buscar entender suas causas e apontar soluções. E as armas de fogo, por exemplo, como mostra a pesquisa, é um fator importante nessa onda crescente de homicídios.

Dou também minha opinião ao apontar que precisamos avançar nas políticas públicas, principalmente à que se refere ao acesso à educação, profissionalização, lazer, esporte e cultura. Precisamos debater esta sociedade capitalista, consumista e egoísta, onde o “ter” é mais importante que o “ser”. Onde o que vale é a marca do seu carro, da sua roupa, do seu tênis e celular. Enfim, o debate é muito grande. Mas precisamos fazê-lo.

*estudante de Direito, militante do PCdoB e das causas da criança e da juventude. Está na Assessoria Parlamentar do Ministério da Educação.

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