Começa nesta quinta-feira (10), em Brasília, o 2º Encontro Nacional dos Servidores Públicos da CTB que deve reunir centenas de sindicalistas até o sábado (12), no Brasília Imperial Hotel.

O credenciamento para a atividade começa às 10h no próprio local do evento e mesa de abertura às 16h, seguida pelo debate “O papel dos trabalhadores dos serviços públicos numa economia globalizada”, a partir das 17h30.

Durante três dias, o encontro, voltado para secretários de entidades filiadas, pretende discutir o atual momento político e econômico do país, seus impactos para a categoria e o lançamento de uma campanha nacional de valorização para os trabalhadores do setor.

Em entrevista ao Portal CTB, João Paulo Ribeiro, secretário nacional do Serviço Público e do Trabalhador Público, falou sobre o encontro e garantiu que será a oportunidade de os sindicalistas participarem da atualização da política de atuação da Central e aprofundar a discussão acerca da organização e dos desafios dos trabalhadores e trabalhadoras do setor, diante dos ataques desferidos pela ala conservadora do Congresso Nacional.

Confira a entrevista na íntegra:

Portal CTB –  A partir desta quinta-feira começam os debates do 2º Encontro Nacional dos Servidores Públicos. Qual a proposta da CTB ao realizar esse encontro?

João Paulo Ribeiro – Atualizar a política de atuação da CTB junto aos trabalhadores do serviço público, diante das proposta e ataques desferidos contra os trabalhadores do Brasil e do mundo, seja com leis ou atos irresponsáveis de gestores.

Portal CTB – O governo anunciou um novo corte de custos, que inclui a diminuição de gastos públicos e a redução de ministérios. Como essa situação afeta aos servidores públicos?

JP – Para a CTB, não é a solução, pois irá reproduzir um discurso da direita raivosa. Foi uma solução adotada anteriormente, e ao contrário de resolver, piorou, ampliando a terceirização. A Lei de Responsabilidade Fiscal já organiza os gastos públicos e a União gasta menos de 50% do estabelecido.

Portal CTB –A greve dos trabalhadores das universidades federais já ultrapassou os 100 dias e o governo tem postergado a negociação, com uma pauta que vem desde 2014. Na sua opinião, essa falta de acordo é resultado de um descaso, falta de política de fortalecimento ou diálogo com o serviço público?

JP – As instituições de ensino superior federal cresceram muito, se tornando uma das maiores categorias, e qualquer negociação de salário envolve muitos recursos. Para se ter uma ideia, se colocar 0,1% no step, da carreira deles, significa um investimento de cerca de 350 milhões de reais e, na atual conjuntura, valores altos encontram muita dificuldade de negociação.

As reivindicações são mais do que justas, mas vão demandar muito diálogo. Essa situação é resultado da falta de uma política salário para o setor, falta de negociação coletiva e principalmente de vontade política dos gestores para uma carreira tão importante para o país, mas que infelizmente hoje tem o menor piso de toda esplanada, o que não é justo nem com os trabalhadores, nem com a educação pública.

Nesse sentido, defendemos que o governo realize concursos públicos e promova os atuais servidores a cargos, que hoje são comissionados, leia-se indicados políticos. Faz parte de um plano de valorização do trabalhador dos serviços públicos, que é nossa meta. Por isto estamos lançando a campanha nacional de valorização e defesa dos serviços público e dos Servidores Públicos.

Portal CTB – Diante da postura do governo, quais serão os principais desafios da categoria para os próximos meses?

JP – Lutar pela negociação coletiva, licença classista e reverter todo o entulho autoritário de FHC, que não foi eliminado pela atual gestão. E garantir que as vitórias e as garantias dos trabalhadores dos serviços públicos não sejam jogadas no ralo.

Portal CTB – Majoritariamente conservador, o Congresso Nacional tem dificultado o andamento de projeto favoráveis à classe trabalhadora. Situação que afeta ainda mais os servidores públicos, prejudicados pela falta de regulamentação da negociação coletiva, organização sindical e direito à greve. Nesse sentido, o Projeto de Lei – PL 287/2013, seria um bom caminho para resolver essas questões?

JP – Não. Neste projeto tem pontos que não concordamos. Este projeto é um retrocesso, principalmente, porque traz conspecções de uma única central e não dialoga com outros representantes. A CTB já foi convidada para dialogar e está concluindo suas propostas. Mas temos outros projetos em tramitação favoráveis à categoria, alguns inclusive propostos pelo ex-deputado Assis Melo, dirigente da CTB, fruto de entendimento com sete maiores centrais do nosso país.

Portal CTB – Diante dos desafios postos à categoria, o Encontro dos Servidores pretender construir propostas que orientem a luta da CTB nesse sentido?

JP – Sim, a CTB quer capacitar seus dirigentes para os enfrentamentos e os ataques que se avizinham. Mas para isso precisamos fortalecer nossa organização, consolidar a unidade da categoria e avançar com projetos de leis que ainda estão parados desde a promulgação da Constituição de 1988. Atualmente, os trabalhadores dos serviços públicos são o novo alvo das privatizações, e se depender dos sindicalistas da CTB, isto não ocorrerá.

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