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Por Augusto Madeira

O Distrito Federal assiste um crescente número de greves de servidores públicos.

Esta situação é consequência da mistura da opção política do governo pelo confronto, da ausência de diálogo e também da grave situação financeira. A crise criada por esta opção teve seu episódio mais lamentável na repressão de professores no último dia 28, ironicamente a data dedicada ao servidor público.

O atual governo iniciou sua administração provocando tensão com os servidores ao contestar a legalidade dos reajustes concedidos por lei. O Tribunal de Justiça deu razão aos trabalhadores e declarou legal o direito ao aumento salarial. Ficou a desconfiança dos trabalhadores em relação às intenções do governo de cumprir suas obrigações.

A opção de não construir o diálogo com os servidores foi fechando portas e possibilidades.

Procurou-se o confronto, ao invés da mediação e negociação. Um erro alimentado pela visão de que ao contrário de enxergar um movimento reivindicatório legítimo, a ser tratado com respeito, o governo vê um adversário político a ser derrotado.

Todos os governos no Distrito Federal conviveram com movimentações e reivindicações de servidores, uns mais, outros menos. A alternativa do conflito tem se demonstrado, definitivamente, ser a pior.

Não se pode acusar os servidores de intransigência. Os sindicatos em sua maioria aceitaram que o governo usasse o dinheiro do Fundo Previdenciário do Distrito Federal para pagar inativos e pensionistas, e assim desafogar o caixa.

Também foi aceito que o governo economizasse com a redução, até  2018, de sua contribuição para o Fundo Previdenciário do Distrito Federal, com impacto nas reservas dos servidores que ingressaram a partir de 01/01/2007, sem nenhuma recomposição futura.

Os trabalhadores ainda concordaram que o pagamento fosse postergado e parcelado. No entanto, o governo não apresentou nenhum cronograma para honrar os reajustes estabelecidos.

A situação financeira é grave, não muito diferente de outros Estados, e nada acrescenta para a solução do problema  ficar em uma discussão interminável de quem é a culpa pelo deficit.

Governo é eleito para governar, resolver problemas. Ninguém é obrigado a ser candidato a nada, muito menos a se comprometer com isso ou aquilo na campanha. A população quer soluções.

Os mais prejudicados com esta situação são os cidadãos que moram no Distrito Federal, principalmente os de menor renda, que ficam sem escola, sem saúde e sem transporte. O governo vai somando – dia após dia –  críticos, crises e descontentamentos.

Augusto Madeira é presidente do PCdoB/DF

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