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As Forças Armadas estão nas ruas. Sincronizados com as urgências do Pais, os militares deixam os quartéis para ajudar a erradicar o mosquito Aedes aegypti, avaliar e reduzir os efeitos do desastre da lama no Rio Doce e Oceano Atlântico, preservar as comunicações e ajudar a população nos municípios do Mato Grosso do Sul assolados pela enchente.

 A faceta social das Forças Armadas é um valor adicionado à sua função de garantir os ”poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem,” conforme o Artigo 42 da Constituição. Perde-se no tempo essa sintonia entre a caserna e a sociedade, remontando à formação institucional da força terrestre.

 Da elite de comandantes portugueses introduzidos na Colônia, o Exército tornou-se uma escada da mobilidade social que distinguia os filhos do povo brasileiro, como André Vidal de Negreiros, Filipe Camarão e Henrique Dias, generais heroicos da guerra aos holandeses no século 17, considerada a gênese da instituição no Brasil.

 Muitos dos militares mais reconhecidos saíram de famílias pobres, se não paupérrimas, como os marechais Floriano Peixoto e Cândido Rondon. Em nossos dias, o Ministério da Defesa conduz tropas da Marinha, Exército e Aeronáutica para missões de guerra benigna contra infortúnios que afligem o povo.

Os militares são recebidos com confiança e gratidão. A população abre suas casas sem receio. Ocorre uma interação fraterna, que é um traço assimilado da formação social brasileira. Na Itália, onde integramos as forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados do Brasil deixaram saudades na população, apesar do horror da hora. ”Eles repartiam o que tinham”, dizem os italianos. Até hoje os brasileiros mortos em combate são homenageados pelos habitantes de Pistoia, onde mereceram um monumento pela vitória contra o nazifascismo – o único erguido a uma força estrangeira.

Aldo Rebelo é membro do Comitê Central e ministro da Defesa

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