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Dilma Rousseff recebeu o melhor presente de aniversário no dia anterior àquele em que completou 68 anos: as manifestações do dia 13 que pediram o seu impeachment foram simplesmente um fracasso – e quaisquer desculpas dadas pela direita para tentar explicar este fracasso apenas evidenciam a incapacidade dos setores oposicionistas de mobilizar o povo com legitimidade, carisma, lucidez, e honestidade. Essas desculpas evidenciam, enfim, o mau-caratismo e a arrogância da direita em não admitir o revés do dia.

Direitistas já se mobilizam, como sempre, de forma a criminalizar as manifestações de amanhã, difamando as entidades organizadoras covardemente, pregando discursos apartidários de maneira extremamente hipócrita, sabotando o debate político de tal maneira que seus seguidores mais fanáticos permanecem sendo pessoas com as quais o diálogo parece impossível no momento.

Uma das táticas que eles adotam, sempre amparados pelo poder financeiro e pelos meios de comunicação de maior visibilidade, chama a atenção: comparar, em quantidade de manifestantes, as manifestações das forças progressistas com o show de horrores que claramente não teve a mesma força de meses atrás. A interpretação feita em decorrência dessa comparação é, além de pífia, superficial: a esquerda supostamente não representa mais os anseios da população, e, além disso, a corrupção que supostamente domina todas as organizações de esquerda faz com que o povo em geral não acredite em nenhuma proposta dos setores progressistas para solucionar os problemas do país. Consequentemente, a direita – que de maneira extremamente hipócrita e oportunista se diz apartidária – seria a voz das ruas e se transformaria na força salvadora da pátria contra o PT, o Comunismo, a degradação dos valores morais, a corrupção generalizada, e assim por diante. Estes discursos conservadores, diga-se de passagem, são no mínimo semelhantes àqueles utilizados, por exemplo, pelos fascistas na Espanha de Franco, na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler, e pelos artífices dos golpes do Estado Novo e de 1964 aqui no Brasil, mas este não é assunto do texto.

Porém, o que realmente significa um número menor de participantes nas manifestações organizadas pelas forças de esquerda? Absolutamente nada! A interpretação proposta pelos direitistas, além de evidenciar outra faceta da total falta de caráter por parte deles, não corresponde com a realidade da atual conjuntura. A realidade é que as forças de esquerda se organizam e dialogam de maneira totalmente distinta na disputa de ideias. Por causa do desgaste do governo Dilma – cujas causas são, principalmente, a crise econômica nacional, a relação desta com a crise econômica mundial, e a eleição do Congresso mais conservador desde 1964 –, as forças da esquerda coerente se viram obrigadas a se reorganizarem enquanto agentes defensores da democracia e críticos ao ajuste fiscal protagonizado por Joaquim Levy e lamentavelmente ratificado pela presidente Dilma. Esta reorganização culminou, por exemplo, na Frente Brasil Popular, a qual vem ganhando força através do diálogo e da união crescentes das várias entidades populares que a compõem.

Quanto ao diálogo nos debates político e socioeconômico, a esquerda busca a conscientização do povo – que é o extremo oposto da direita, a qual tenta unir a população através do ódio irracional.
Enquanto a esquerda demonstra que o impeachment da presidente Dilma – cujo embasamento jurídico é nulo segundo vários juristas – apenas agravaria a difícil crise econômica, política e social pela qual o país vem passando, a direita busca o processo de impedimento para satisfazer os interesses das grandes elites econômicas internas e internacionais, cujos lucros com a especulação financeira e principalmente com a derrubada do regime de partilha do pré-sal aumentariam ainda mais, agravando as desigualdades e as injustiças sociais que vêm sendo atenuadas graças às políticas inclusivas dos últimos 12 anos.

Enquanto a esquerda denuncia a hipocrisia absurda do Congresso formado em grande parte por réus no STF, fanáticos religiosos, parlamentares ligados ao agronegócio, à indústria armamentista, a grandes latifundiários, mafiosos dos planos de saúde, e etc., a direita prega a indignação seletiva contra, principalmente, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, os quais estão amparados pela presunção da inocência, visto que não existem provas do envolvimento de nenhum dos dois em quaisquer atos ilícitos.

Enquanto a esquerda sempre denunciou o banditismo de Eduardo Cunha – cujas propriedades estão, nesta manhã, com agentes da Polícia Federal cumprindo mandatos de busca e apreensão – e o seu compromisso com o empresariado e seus comparsas em total detrimento dos interesses populares, a direita se relacionou e ainda se relaciona direta e indiretamente com o presidente da Câmara, com o objetivo de desestabilizar qualquer possibilidade do governo de enfrentar e superar a crise. Para exemplificar as relações entre a direita e Eduardo Cunha, vale destacar outra prova irrefutável da absoluta falta de ética dos direitistas: dissimulando essa falta de caráter, eles defendem na rua a cassação do mandato de Cunha depois de terem comemorado com ele a aprovação de vários retrocessos para o país, como a aprovação do Projeto de Lei da terceirização, o perdão das enormes dívidas dos planos de saúde para com a União, o avanço do Estatuto da Família, a aprovação da redução da maioridade penal, a iminente flexibilização do estatuto do desarmamento, o avanço do Projeto de Lei 5069/2013, e, mais recentemente, a eleição da chapa golpista da Comissão Especial que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma – frutos das infinitas manobras do deputado Eduardo Cunha.

Embora o revés da direita no domingo seja um ótimo sinal para a esquerda, a ilusão de que a manutenção da democracia e o caminho para a superação da crise serão mais fáceis é extremamente perigosa. É preciso manter a consciência de que a defesa da democracia para superação da crise política que deverá resultar na retomada do crescimento econômico será um processo de, no mínimo, médio/longo prazo. É preciso ter em mente que a defesa da democracia será feita não apenas no Congresso, mas principalmente nas ruas, onde levará tempo para esclarecer a população que impeachment sem embasamento jurídico e com motivações políticas é golpe!

O enfrentamento contra a direita, contra o golpismo, e contra Eduardo Cunha deve ser empreendido com forças cada vez maiores, e as manifestações do dia 16 de dezembro de 2015 são o grande movimento de expressão dessas forças crescentes. Portanto, todos e todas devem comparecer às manifestações de amanhã, seguindo com força, humildade, e esperança!
Contra o golpismo, viva a democracia!

Brasília, 15 de dezembro de 2015.

Por Ricardo Gomes

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