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Rodrigo Rollemberg, crescido e criado na boemia brasiliense. O candidato dos jovens, da noite, dos bares, da cultura. Quase uma fonte de inspiração do modo Reguffe de ganhar eleição. Deputado, Senador e Governador do Distrito Federal – ou seria tão somente de Brasília?

Por Eduardo Chíxaro

Após suceder Agnelo Queiroz, Rodrigo Rollemberg passou a ser encarado por muitos como a alternativa que o Distrito Federal precisava para pôr fim, de uma vez por todas, no coronelismo Rorizista e no petismo que, embora tenha tido seus méritos, não conseguiu emplacar grandes índices de aprovação no GDF. Isso para não falarmos no capital político de Arruda, aquele que saiu do Palácio direto para a Papuda (ou algo do tipo) e que só não venceu o pleito de 2014 por ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Pois bem, num processo de disputa com opositores enfraquecidos, Rollemberg venceu as eleições com a bandeira do novo, com os votos dos jovens, artistas, empresários, servidores públicos, estudantes e trabalhadores. Venceu com o discurso da terceira via (ou quarta?) – um discurso simpático, fácil de fazer.
Nascido o governo, que já não era mais do Distrito Federal, mas sim de Brasília, a dificuldade na articulação e diálogo com as forças políticas se mostrou a primeira fragilidade do novo governador, potencializada pelo fato de não haver sequer um parlamentar do partido governista na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Indicações para Administrações Regionais e Secretarias passariam a ser as moedas de troca para conquistar governabilidade junto ao legislativo local, tal como sempre foi feito, nenhuma novidade. Mas dessa vez soou um pouco pior do que de costume, pois este seria o Governador que instituiria a eleição para Administrador Regional e acabaria com o “fisiologismo das velhas estruturas de poder”. É, não foi dessa vez.
Aos servidores, sem salários nem perspectivas, a herança maldita era a resposta. No início deu certo, um passo atrás valeria a pena, pois havia a confiança de que dois à frente seriam dados logo mais.

O carnaval viria, tudo acabaria em samba, o povo esqueceria do passado e dias melhores começariam a partir da tarde da quarta-feira de cinzas. Exceto por um motivo, o Rei Momo não teria sua semana de glória, foi decretado o fim do carnaval em Brasília. Artistas e produtores culturais, após tanto questionarem, perceberam que seria inevitável. A decisão do Governador estava tomada, o discurso da necessidade de contenção de gastos parecia factível, mesmo à contragosto, valeria esperar para ver.

O Governador só não podia contar com as imprevisibilidades da vida real, esta, que nem sempre dança a valsa conforme a vontade do regente. Jovens e artistas dificilmente se permitem ser ordenados pelas determinações do príncipe, ainda bem, pois só assim tivemos um carnaval que aconteceu graças ao sangue, suor e lágrimas dos que entendem a cultura como uma necessidade de primeira ordem.
Em resposta aos foliões, balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio foram as contribuições do Governador Rollemberg logo no primeiro dia de carnaval, na 201 Norte. Estava ali presente o primeiro sinal do que seria a polícia comandada pelo novo Governador.

Desde então, compreender o rumo do governo Rollemberg se tornou tarefa cada vez mais difícil, em especial aos que o elegeram.
Rodoviários, médicos e professores foram apenas algumas das categorias em greve. Mais do que negar reajuste salarial a servidores, Rollemberg quebrou acordos, tentou reduzir salários e acabar com garantias conquistadas pelos trabalhadores, além de, inacreditavelmente, chegar a cogitar a exoneração de servidores concursados. Tudo isso ainda em nome da herança maldita.
O desrespeito, a falta de diálogo e a ruptura com o povo do Distrito Federal podem ser simbolizados pela ação de guerra promovida pela Polícia Militar de Rollemberg ao reprimir professores que exerciam o direito constitucional de manifestação. Logo contra professores, cujo único risco que oferecem é a emancipação por meio do conhecimento. Que vergonha, Governador!

Novos empreendedores, interessados em desenvolver atividades econômicas na cidade, são desestimulados pela burocracia e ineficiência do Governo. Não incomum é também encontrar velhos empreendedores impelidos a fecharem as portas, tanto pela mesma burocracia e ineficiência, mas sobretudo pelos excessos do Governo ao exercer seu poder de polícia.
Do aumento de até cinquenta por cento das tarifas de transporte público ao de quatrocentos por cento do ingresso ao Zoológico, Rollemberg se tornou o senhor dos absurdos.
Rodrigo Rollemberg, eleito Governador do Distrito Federal, preferiu se declarar Governador de Brasília e hoje é tão somente Governador de si mesmo.

Eduardo Chíxaro é secretário de organização do PCdoB Brasília e assessor parlamentar no Senado

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