Por Davidson Magalhães
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O ano de 2015, que teima em não terminar, foi marcado por grande instabilidade política e uma crise econômica que paralisa o país e sinaliza regressão nos avanços sociais conquistados nos últimos doze anos.

A dimensão e complexidade das principais variáveis que compõem a equação desta conjuntura de crise e instabilidade podem ser sintetizadas: recessão econômica, fim do ciclo das commodities, operação Lava Jato e suas consequências políticas e sobre o setor produtivo de petróleo-gás e infraestrutura; fragilidade da base política de apoio ao governo, o rompimento do vice-presidente Michel Temer e o seu ativismo golpista, a baixa popularidade da presidenta e a abertura do processo de impeachment. Este quadro exige para seu enfrentamento e superação um novo arranjo político e uma política macroeconômica de retomada do crescimento.

A frente política dirigida pelo consórcio PT-PMDB, hegemonizado por um núcleo de condução petista em torno da presidenta, demonstrou ao longo do ano ser um arranjo limitado e insuficiente para garantir uma estabilidade política que possibilite a retomada do desenvolvimento econômico. Mesmo com os avanços ocorridos na articulação política da presidenta, a sua configuração ainda não leva em consideração a crise interna do PMDB, a posição adotada pelo Temer, as dificuldades vivenciadas pelo PT, o desgaste da presidenta, e a necessidade urgente da formação de uma frente política real e programática para barrar o impeachment e superar a paralisia que atinge o país.

O final do mês de dezembro, até agora, tem reservado uma conjuntura favorável. O movimento pró-impeachment amargou um forte esvaziamento nas ruas. O STF derrotou o rito golpista. Eduardo Cunha, desmoralizado, vê corroída a sua pretensa majestade. O Congresso Nacional aprovou as peças orçamentárias 2016. O mensalão tucano tem o primeiro condenado, Eduardo Azeredo. Picciani retornou à liderança do PMDB e Temer é esvaziado como expectativa de polo de poder. A conjugação destes acontecimentos abre uma oportunidade especial para a retomada da iniciativa política em outro patamar.

A presidenta Dilma tem diante de si uma nova oportunidade. Estruturar um núcleo de direção político amplo, com condições de construir e dirigir uma firme base de sustentação no parlamento e na sociedade. Definido o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, espera-se que repactue uma agenda do crescimento com os movimentos sociais e o setor produtivo. São estes os grandes desafios do momento. Que a presidenta inicie 2016 com passos firmes para superação do atual impasse.

Adeus 2015!

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