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Por Jean Wyllys, em sua página no Facebook

A filha de Eduardo Cunha postou no seu twitter uma foto de uma mão fazendo “fuck you” com a bunda por trás e a legenda “See you in Cuba”, uma mensagem ambígua que deu lugar a uma notícia falsa, um monte de especulações e muitos comentários misóginos e machistas sobre a moça. O jornalista Lauro Jardim, que nunca confirma as informações antes de publicá-las (seguindo a máxima: “O importante é dar o furo, mesmo que acabe sendo uma furada”), noticiou no Globo que o presidente da Câmara dos Deputados teria viajado à ilha de Fidel com a família e, claro, as críticas e ironias por seu anticomunismo começaram a se espalhar pelas redes.

Afinal, porém, tudo não passava de um engano. A foto publicada pela filha de Cunha (e, portanto, também a bunda) não era dela, mas do Instagram de Kendall Jenner, e o presidente da Câmara não está em Havana, mas no Rio de Janeiro, como ele mesmo esclareceu. E tanto as críticas quanto as ironias (e os comentários misóginos) tinham sido à toa…

— Mas, estaria eu defendendo Eduardo Cunha?
Claro que não! Cunha é um bandido, formalmente acusado pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e corrupção. Ele é, além de corrupto, um representante do mais repugnante conservadorismo, da homofobia, do machismo, do discurso de ódio contra as minorias, da negação dos direitos humanos e do lobby corporativo que coloca a política e as instituições da República a serviço dos interesses do capital concentrado e dos partidos fisiológicos. Eu enfrentei Eduardo Cunha desde muito antes de ele ser presidente da Câmara e avisei o que viria se ele fosse eleito! E continuarei enfrentando!

Contudo, o episódio mostra a pressa com que se começa a julgar, insultar e condenar sem se apurar os fatos e multiplicar as fontes de notícias que muitas vezes são inverídicas. As informações falsas e os boatos se espalham rapidamente nas redes (e eu sou permanentemente vítima disso, muitas vezes por mentiras criadas e divulgadas por aliados de Cunha), porque as pessoas compartilham sem checar os dados e sem saber se o que estão compartilhando é verdade. E nem mesmo um sujeito desprezível como Cunha merece ser alvo dessa desonestidade.

Até porque, se usarmos mentiras contra ele, as verdades (que são mais do que suficientes!) perdem força e nós mesmos perdemos autoridade moral para afirmá-las. Fica a dica!

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