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Talvez a maioria da população não saiba de quem se trata somente pelo nome, mas certamente reconhecerá o brilhante ator pela imagem. Artista plástico e militante do movimento negro, Antônio Pompêo foi encontrado morto nesta terça-feira (5) em sua casa, no bairro de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro. A causa da morte ainda não foi informada. Pompêo morava sozinho.

Paulista de São José do Rio Pardo, Antônio Pompêo iniciou a carreira na TV em 1975, participando de 24 novelas e minisséries, entre as quais, a minissérie Lampião e Maria Bonita (1982), O Tempo e o Vento (1985) e nas novelas Sinhá Moça (1986), O Outro (1987) e Kananga do Japão (1989). Nos últimos anos atuou em novelas da TV Record.

Estreou no cinema em 1976, no filme Xica da Silva, de Carlos Diegues, atuando com Zezé Mota, a protagonista do filme. Atuou em uma dezena Foram de 11 filmes, entre os quais O Xangô de Baker Street (2001), de Miguel Faria Jr.

Militante do movimento negro, Pompêo foi presidente do Centro de Documentação e Informação do Artista Negro (Cidan) e diretor de Promoção, Estudos, Pesquisas e Divulgação da Cultura Afro-Brasileira, da Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.

Em sua página no Facebook, a atriz Zezé Motta, que contracenou com o ator em Xica da Silva, destacou o papel de Pompêo em defesa da cultura afro-brasileira. “Juntos, trabalhos em Xica da Silva, Quilombo, entre tantos outros projetos no cinema, na televisão foram mais de cinco novelas onde tivemos a oportunidade em estarmos juntos… Pompêo também presidiu o Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, fundado por mim em 1984. A dor é grande! Descanse em paz meu amigo”, escreveu a atriz.

Uma das mais marcantes interpretações no cinema foi Zumbi dos Palmares, em Quilombo (1984), de Diegues. Longe da caricatura de um homem revoltado e amargurado que gostam de impor à personalidade de Zumbi, Pompêo deu vida ao personagem forjando-o com as características do verdadeiro líder da libertação dos negros deste país: força, determinação e serenidade.

“Todo movimento negro está em luto. Pompêo foi um artista engajado da luta do movimento negro. Apesar de reservado, foi muito atento e atuante”, afirmou o Edson França, presidente da Unegro (União de Negros pela Igualdade). “Foi uma grande perda”, completou.
 
A sambista e deputado estadual Leci Brandão (PCdoB) também lamentou a morte do ator. “Ficamos muito tristes ao receber a notícia sobre a morte do ator Antônio Pompêo, uma pessoa que sempre admirei e respeitei muito por seu grande talento e, principalmente, por sua luta contra o racismo e a desigualdade no Brasil. Que Olorum o receba em festa e que Deus conforte sua família e amigos; aqui, fica muita saudade”, afirmou a parlamentar pode meio das redes sociais.

O ator Stepan Nercessian também expressou o seu pesar: “Antônio Pompêo. Artista maravilhoso. Ator de sensibilidade rara. Muito bom caráter. Grande amigo. Despediu-se de nós. Que Deus o receba no Teatro da Eternidade”.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos divulgou nota lamentando a morte do ator e militante.

A nota enfatizou que Pompêo foi um dos idealizadores do Projeto A Cor da Cultura, que se converteu em material de apoio pedagógico em todo o território nacional para a formação de docentes e estudantes em História e Cultura afro-brasileira e africana. “O projeto a Cor da Cultura teve seu início em 2004 e, desde então, tem desenvolvido materiais audiovisuais, ações culturais e coletivas que visam práticas positivas, valorizando a história da cultura afro-brasileira e africana, fruto de uma parceria entre o Canal Futura, a Petrobras, o Cidan – Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, TV Globo e Seppir”, pontuou. 

Do Portal Vermelho

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