Centrais sindicais, movimentos sociais, Frente Brasil Popular e trabalhadores realizaram em Brasília, um ato de protesto contra a privatização do setor elétrico nacional. A manifestação ocorreu pela manhã, em frente ao Palácio do Planalto e também no Ministério de Minas e Energia (MME). Os militantes foram recebidos pelo secretário Nacional de Articulação Social da Presidência da República, Wagner Caetano, que recebeu um documento em defesa da soberania do setor elétrico nacional.

Valcir Araújo

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Segundo a organização do ato, o protesto reuniu mil manifestantes

Cerca de mil participantes pediram que empresas de energia, como a Companhia Energética de Goiás (CELG), que teve a proposta de privatização aprovada em dezembro do ano passado, não sejam entregues ao domínio privado. Sindicalistas de sete estados ameaçados de privatização – Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Piauí, Alagoas e Goiás – e de várias partes do Brasil estiveram presentes no ato de hoje, na capital federal.

Em Goiás, militantes do Movimento dos Sem Terra (MST) interditaram o trecho da BR 153, também em protesto contra a venda da CELG. Membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) ocuparam o prédio do MME, acorrentados, contra a privatização das empresas energéticas.

Os líderes da mobilização foram recebidos pelo governo para ouvir a proposta da classe trabalhadora. O grupo sugere a junção de todas as distribuidoras e geradoras de energia na criação de uma empresa 100% pública para gerir o setor.

O governo goiano e a Eletrobras detêm 49% e 51% da CELG, respectivamente. Numa assembleia ocorrida em dezembro do ano passado, a estatal aprovou a venda de parte da companhia para o setor privado.

Funcionário da Eletronorte, Vítor Frota, que também é diretor de Juventude da CTB/DF e Secretário de Comunicação do Sindicato dos Urbanitários do DF (STIU-DF), diz que a luta dos movimentos foi intensificada para pressionar o governo a barrar a privatização. “Somos todos contra a entrega do setor elétrico estatal ao mercado. Com a aprovação da venda da CELG pela Eletrobras, nós dos movimentos sociais e sindicais temos pouco tempo para tentar desfazer essa intenção do Executivo, visto que o leilão da CELG está previsto para fevereiro ou março de 2016. Nós do STIU-DF somos solidários a luta dos companheiros eletricitários de Goiás. Os movimentos sociais do campo e da cidade estão de parabéns por este ato conjunto. É a luta coletiva contra a tentativa do Capital de acabar com o patrimônio público do povo brasileiro”, declarou.

Segundo Vítor, o grupo Eletrobras é composto por 15 empresas, entre distribuidoras e geradoras de energia, além do Centro de Pesquisa da Eletrobras (CEPEL). “O Executivo quer vender todas as sete empresas distribuidoras, a começar pela CELG, a mais lucrativa delas. Em outro ato que fizemos, no último dia 28, conseguimos adiar a aprovação da venda das outras seis distribuidoras. Mas até o momento o governo não abriu mão da privatização da companhia de Goiás. Estamos brigando há quase 1 ano e já conseguimos adiar o leilão da CELG várias vezes, no início de 2015”.

A presidenta da CTB/GO, Ailma Maria, destaca a posição da central sobre a desestatização das empresas. “A CTB é totalmente contrária à privatização do setor elétrico porque sabe que o País precisa se desenvolver, gerar energia para produzir, mas a sociedade não pode pagar o preço. O estado tem que assumir toda a produção da energia elétrica. Viemos aqui conversar com a administração federal e propor outras alternativas para não privatizar”.

O presidente do Sindicato dos UrbanItários no Amazonas, entidade filiada à CTB, Edinei Martins, disse que a empresa distribuidora de energia amazonense também corre risco de ser privatizada. Ele afirma que a CTB encabeça a luta contra as privatizações no estado, com o apoio de vários sindicatos de outras categorias, ligados à central.

“A CTB é contra o desmonte nacional, principalmente quando se dá em areas estratégicas, como a da energia elétrica. Vender o setor elétrico, que é um propulsor, vetor de desenvolvimento no Brasil, à iniciativa privatizada é um ataque aos trabalhadores e à soberania nacional. A venda dessas empresas vai causar demissões em massa e não trará bons resultados. A privatização causou enormes prejuízos em estados como Pará e Maranhão. Hoje os índices de abastecimento de energia e qualidade de serviço para a população nestes locais é muito ruim, além das tarifas terem aumentado. A privatização só é boa para quem compra”, destacou Martins.

As entidades organizadoras do protesto pretendem realizar, ainda este mês, atos por todo o País, caso as reivindicações de hoje não seja atendidas.

Fonte: Portal CTB

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