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Brasília não é uma cidade qualquer, um arremedo de prédios e casas.

É a Capital do Brasil, e com tal deve ser pensada, planejada e adminstrada para ser o modelo de país que queremos.

Por Jean Carmo e Federico Vazquez

Para tanto, saudamos as recentes conquistas do movimento cultural de Brasília, que está organizando um dos carnavais de rua mais vivo entre os que acontecem no Brasil. Parabenizamos a força, a união e a persistência desse grupo de foliões e produtores e produtoras que, percorreram cada gabinete da adminstração pública, como ratos atrás do queijo, vencendo inúmeras dificuldades e desinformações, atrás de infindáveis exigências para garantir a alegria de milhares de foliões, não permitido que o silêncio conservador se imponha sobre as manifestações culturais de uma cidade jovem e viva.

O debate de mais espaços democráticos para a cultura, que marcou Brasília nos últimos anos, resultou ao estímulo permanente de mais ocupação pela juventude que produz a cultura, o esporte e o lazer dos espaços públicos.

Infelizmente nos últimos meses temos visto, e sentido, a atual gestão do Governo de “Brasília” ter empenhado um esforço singular de censurar a cultura da cidade.

Casos como o fechamento do Balaio Café, violência contra jovens que tocavam violão na quadra onde moram, abaixos assinados para não abertura de locais comerciais (Choperia na 408 Norte), medo e fechamento de tradicionais locais de confraternização e convívio cultural, levou à eliminação de mais de 14 mil postos de trabalho formal em 2015, além de criar um ambiente de tensão entre empreendedores, cidadãos e a juventude em especial.

Produtores culturais, artistas, órgãos do governo, tem que estar conjuntamente mobilizados para aprofundar, no governo e na sociedade a convicção de que é preciso intervir conjuntamente no cenário urbano para benefício comum de toda a população.

Jovens artistas da cidade se ressentem da falta de oportunidades para apresentarem os trabalhos que estão desenvolvendo.

Um dos artifícios usados pela Administração do Governo do Distrito Federal – GDF para suprimir espaços e oportunidades de valorização e desenvolvimento da Cultura brasiliense é a antiquada Lei do Silêncio.

A ausência de um entendimento de que devemos modernizar o conceito de cidade é gritante e se faz urgente encaminhar uma solução, não apenas para a Lei, mas para todo um conceito de cidade, moderna e modelo.

É importante compreender a cidade como um organismo vivo e em constante movimento, e que precisa ser preservada, garantindo-se o uso por sua população, tornando-a o mais democrática possível.

Brasília realizou em 2014 o maior carnaval de rua, qualitativamente e quantitativamente, de sua história. Isso só foi possível a partir da percepção da necessidade de contornar os conflitos que ocorriam entre os blocos independentes que estavam a margem da Liga dos Blocos e os moradores das superquadras. Assim, por meio de um dialogo permanente com esses atores, possibilitou – se um grande carnaval de rua com apoio da segurança pública, da fiscalização, da limpeza  urbana, da logística e infraestrutura, garantido o menor impacto na relação conflituosa no período do carnaval e evitando, como ocorria no passado, o tratamento policialesco.

Finalmente  à adminstração, depois dos desgastes gerados aos foliões, criou condições mínimas  de que a festa mais popular do país aconteça. Mas isso não redime esta administração de sua responsabilidade de trabalhar por fortalecer a cultura, descriminzalizar empreendedores, produtores culturais, artistas, juventudes e manifestações populares espontâneas.,

Queremos assim reforçar, que este Carnaval de 2016, construído com suor, resistência e determinação pelos produtores e produtoras dos blocos independentes, é um aviso de que Brasília deve ser pensada não mais como a cidade de 1960, mas a cidade viva e de vanguarda para sua população. Afinal, o que a jovem população de Brasília quer é botar seu bloco na rua e brincar.

Viva o Carnaval e sua rebeldia festiva!

Por Jean Carmo, presidente PCdoB Brasília e Federico Vazquez séc. Comunicação e Cultura do PCdoB Brasília

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