A guinada dos novos líderes do PSDB não se resume apenas a uma mudança tática lastreada em pesquisas de opinião. É uma tentativa de evitar nadar e morrer na praia em 2018.

Por Gustavo Alves*

 Oposição muda tática em 2016 para tentar ganhar em 2018

Oposição muda tática em 2016 para tentar ganhar em 2018

O abandono da política do “quanto pior melhor” por uma parte dos tucanos é resposta às pressões do setor econômico, que está sendo atingido pela crise emocional, como bem nominou o economista Paulo Nogueira Batista Jr.

A crise econômica alavancada pela oposição está fazendo vítimas muito além das empresas que tinham negócios com a Petrobras. Está atingindo até a parcela da elite econômica que apoia e financia o demo-tucanato.

Mas há também uma motivação forte, que nem sempre fica visível.

O bombardeio diuturno contra Dilma e Lula diminui a necessidade de alianças internas para enfrentar a coalizão governista.

A migração do senador paranense Álvaro Dias para o Partido Verde é um bom exemplo destes movimentos. O senador, que se destaca como oposicionista ferrenho deste o primeiro governo Lula, mudou-se de armas e bagagem para a sigla ambientalista sem se afastar um milímetro de suas convicções.

A sua possível candidatura à presidência da República por outra legenda mostra que há um grande congestionamento na disputa pelo principal partido da oposição.

Nos corredores do Congresso, há quem aposte na possibilidade de migração também do governador de SP, Geraldo Alckmin para o PSB e do senador José Serra para o PMDB.

Estes movimentos seriam alavancados pela disputa surda que o PSDB vive.

Parte visível desta guerra interna é a disputa pela candidatura tucana à Prefeitura da cidade de São Paulo. Acusações de compra de militantes, cooptações e outras manobras transpiram pelos jornais e sites.

Ao associar-se aos zumbis e viúvas da ditadura, o tucanato aecista conseguiu uma capacidade de mobilização ruidosa, mas também diminuiu sua influência em setores conservadores mais consequentes.

Justamente estes setores é que agora tentam construir outras opções para 2018.

Na visão de um membro destes setores conservadores os resultados práticos da virulência e a bestialidade patrocinadas pela oposição em 2015 podem gerar uma diáspora de candidatos, um renascimento da militância petista e indiretamente um efeito rebote na candidatura da coalizão governista, como o que ocorreu em 2006.

Naquele momento, quem sustentou a reeleição do presidente Lula foi a mobilização dos militantes.

Esta força que julgava-se adormecida e domesticada com a institucionalidade, ressurgiu graças à agressividade da oposição.

Portanto, mais do que uma guinada “consequente”, a mudança de prática da oposição é uma tentativa de não perder pela quinta vez seguida por excesso de confiança.

*Jornalista, assessor parlamentar e dirigente do PCdoB/DF.

Publicado no Brasil 247 e Portal Vermelho

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