Música, dança, teatro e literatura acompanham a luta e história dos negros. Há nove anos em nome das mulheres negras da América Latina, o Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha (Latinidades) chega a 2016 para discutir o tema Comunicação: publicidade, jornalismo e redes sociais. Com objetivo de convergir debates e iniciativas relacionadas à promoção da igualdade racial, o evento dialoga com a cultura e mostra a riqueza da formação, empreendedorismo e economia criativa. Ao falar de comunicação,  Latinidades pauta o racismo estampado nos meios, sejam tradicionais, alternativos ou independentes. O fortalecimento das mídias negras e o reconhecimento intelectual em torno da comunicação também serão abordados nas mesas de debate.

“O Latinidades tem um papel importante em conectar as mulheres tanto no ponto de vista político, quanto nas artes”, argumenta a jornalista Juliana Cézar Nunes. Ela participará hoje, às 19h30, da mesa Democratização da comunicação, além de promover um momento de reflexão sobre o espaço das mulheres negras na mídia. “Vou falar sobre o sistema de comunicação pública e, claro, valorizar as iniciativas de comunicação alternativa e negra”. Segundo Juliana, as pessoas precisam saber como ecoar a voz, por isso, o Latinidades tem como objetivo incentivar a comunicação por meio trocas de experiências inovadoras. “Vamos trazer exemplos de mulheres que conseguiram projetar suas vozes e incentivar que mais mulheres façam o mesmo”, completa.

A mesa também contará com a participação do Mestre TC, fundador da Casa de Cultura Tainã e da Rede Mocambos, e da jornalista Luciana Barreto. Os estudiosos analisarão a estrutura excludente do cenário midiático e o monopólio por parte de empresas privadas. “Os debates de comunicação sempre foram de homens brancos, como se a mídia fosse propriedade deles. Mas, agora, as mulheres estão mostrando que não. Estamos deixando claras várias potencialidades para o debate contra o racismo”, ressalta Juliana. No olhar da jornalista, a luta por democratização busca construir espaço plural, onde há circulação de ideias e opiniões promotoras da igualdade de gênero raça. “É importante que as mulheres continuem pautando as mídias, mas que também façam suas próprias”.

De acordo com Juliana, quando se trata de entretenimento, também é preciso rever o modelo de humor. “As mulheres negras geralmente são retratadas em posições subalternas. Muito do material produzido são para as patroas e poucos orientam as trabalhadoras”. Como explica a jornalista, a comunicação deve ser para cidadania e mostrar o reconhecimento de todos. “É preciso repensar o papel da mulher negra na pauta. Ela precisa ser uma pessoa sujeita de seus direitos, precisa ser respeitada nesse lugar de fala”.

Exposição

Ana Carolina Fernandes/Divulgação

Em homenagem às comunidades quilombolas, a fotógrafa Ana Carolina Fernandes apresentará a mostra Mulheres quilombolas em marcha no Museu Nacional. As fotografias retratam a resistência delas que, historicamente, lutam contra diversas formas de dominação. O registro fotográfico registra a luta das quilombolas durante a Marcha das Mulheres Negras em Brasília, em 18 de novembro de 2015. O trabalho, que mostra ao público faces da resistência cotidiana, tem como viés dar visibilidade aos projetos do movimento de mulheres negras e simbolizar a importância do respeito à ancestralidade e ao compartilhamento.

Cerimônia de abertura

O Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, mais conhecido como Latinidades, teve sua cerimônia de abertura na noite de segunda-feira (25/7), com um cortejo afro que saiu do Museu Nacional de República em direção a Rodoviária do Plano Piloto.

Latinidades Ninja/Divulgação

A programação marcou a abertura da nona edição do evento, que segue com atividades até 31 de julho no Museu Nacional da República, e também celebrou o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, um marco internacional da luta e da resistência das mulheres negras, criado em 1992.

Festival Latinidades
Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios). Até 31 de julho, com shows, conferências, mesas de debate, mostras de cinema, lançamento de livros e exposição. Entrada franca. Mais informações: www.afrolatinas.com.br. Confira a programação completa em nosso site.

Confira a programação completa

26/7 (terça-feira)

17h30 – Debate: Terça Afro – “Territórios de Afetos”

19h30 – Mesa de abertura – “Democratização da comunicação”. Participantes: Luciana Barreto (RJ), Mestre TC (SP) e Juliana Cézar Nunes (DF). Debatedor: Dom Filó (RJ).

27/7 (quarta-feira)

10h – Mesa 01 – “Vozes da perifa: comunicação insurgente; comunicação e resistência”. Participantes: Thamyra Thâmara (RJ), Thabata Lorena (DF) e Maíra Azevedo (BA). Debatedora: Priscila Rodrigues (RJ).

14h – Cine Afrolatinas
> KBELA, de Yasmin Thayná (duração: 23 min). Sinopse: um olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido cotidianamente por mulheres negras. A descoberta de uma força ancestral que emerge de seus cabelos crespos transcendendo o embranquecimento. Um exercício subjetivo de autorepresentação e empoderamento.
> DANDARAS: a força da mulher quilombola, de Ana Carolina Fernandes e Amaralina Fernandes (duração: 31 min). Sinopse: o documentário apresenta as trajetórias e o engajamento de mulheres quilombolas que atuam como lideranças políticas de suas comunidades e do movimento quilombola como um todo. Quais são os discursos destas mulheres sobre suas trajetórias? Busca-se, a partir dos pontos de vista de algumas destas lideranças, conhecer os motivos que as levaram a ocupar estas posições e aqueles que as fazem permanecer na luta.

15h – Mesa 02 – “Estética como estratégia política”. Participantes: Denise Ferreira da Costa Cruz (DF), Aretha Sadick (SP) e Hendi Mpya (África do Sul). Debatedora: Djamila Ribeiro (SP).

17h – Oficina – “Terapia Escrita – Mulher Negra: Do Substantivo ao Subjetivo”, com Jarid Arraes.

17h30 – Elas Debatem: Feminismo negro & comunicação, com Mídia Ninja.

28/7 (quinta-feira)

10h – Mesa 03 – “Nós por nós: mídias negras em ação”. Participantes: Ana Flávia Magalhães Pinto (SP), Larissa Santiago (BA) e Sueli Carneiro (SP). Debatedora: Angelica Basthi (RJ).

14h – Cine Afrolatinas
> NEGROS: A docu-series about Latino identity (Uma docu-série sobre a identidade de Latinos/as), de Dash Harris (duração: 32 minutos). Legendas em português. Sinopse: NEGROS é uma docu-série que explora a identidade, a colonização, o racismo e a diáspora africana na América Latina e no Caribe. Por meio de entrevistas francas com afro-latinos/as, manifestações sociais dos complexos em relação à cor e suas consequências são desconstruídas.

> O sal dos olhos, por Letícia Bispo (duração: 18 min). Sinopse: Rafaela saiu de casa para ir à faculdade, mas ela percebe que não pode deixar tudo para trás.

15h – Mesa 04 – “Arte e protesto”. Participantes: Renata Felinto (SP), Eliane Dias (SP) e Jarid Arraes (SP). Debatedora: Sueide Kintê (BA).

17h – Oficina – “Print: Materializando zines”, com Bianca Novais e Flora Egécia (Estúdio Cajuína).

19h – Roda de capoeira. Grupo Nzinga de Capoeira Angola – com Mestra Janja e Mestra Paulinha.

29/7 (sexta-feira)

10h – Mesa 05 – “Educomunicação e combate ao racismo”. Participantes: Jean Yves Bassangna (Camarões), Denise Teófilo (SP) e Sátira Pereira Machado (RS). Debatedora: Fernanda Luiza Duarte (DF).

14h – Cine Afrolatinas
> Jornalista Preta de gênero e cor, de Mariana Alves Tavares (duração: 26 min). Sinopse: Gravado com uma câmera de telefone celular, o documentário analisa a presença e identidade das jornalistas negras que trabalham em telejornais, contando com a participação de jornalistas negras que vivem diferentes cenários da produção jornalistica: micro, com a repercussão local; médio, com a repercussão regional/estadual; e macro, com a repercussão estadual/nacional.

> A escrita do seu corpo, de Camila de Morais (duração: 14 min). Sinopse: O documentário “A Escrita do Seu Corpo” aborda a questão racial e de gênero feminino a partir da poesia. Três modelos distintas escolhem três poemas de autores/as diferentes que trabalhem com essa temática. Em sua poesia, Mirapotira, rapper baiana, fala do feminismo e o poder da mulher. A poeta Lívia Natália dialoga com a questão da aceitação do cabelo crespo pela mulher negra. Já o escritor e poeta gaúcho Paulo Ricardo de Moraes argumenta sobre o poder da união entre o povo negro.

> Òrun Àiyé: a criação do mundo, de Cintia Maria e Jamile Coelho (duração: 12 min). Sinopse: O vovô Bira narra como os deuses africanos Olodumaré, Orunmilá, Oduduwa, Oxalá, Nanã e Exú interagem na descoberta dos mistérios do universo. No início, a narração é focada na tarefa dada por Olodumaré a Oxalá. Pelos desertos africanos, a missão de Oxalá encontra desafios e nos traz relatos de como as lendas africanas retratam a criação dos seres humanos, da natureza e de todo o mundo pela voz do vovô Bira.

15h – Mesa 06 – “Inventividades e afroempreendedorismo”. Participantes: Kizzy Fernanda Terra Ferreira dos Reis (RJ), Monique Evelle (BA) e Silvana Bahia (RJ). Debatedora: Adriana Barbosa (SP).

17h – Oficina – “Oficina de Cordel”, com Jarid Arraes.

19h30 – Conferência – Kimberlé Crenshaw (EUA). Debatedora: Jurema Werneck (RJ).

22h – Festa Latinidades. Pista Afro-Latinas: Tati Quebra Barraco (RJ), Heavy Baile + Mc Carol (RJ), Pretas Sonoras (SP/ RJ/ DF). Pista Batekoo Som: Djs do Batekoo (Salvador). Concurso RuPaulas (as melhores drags da festa). Local: Minas Tênis Clube. Classificação indicativa 18 anos. Ingressos: R$20 (antecipado).

30/7 (sábado)

11h às 21h – Feira Latinidades

10h às 17h – Espaço Kids Latinidades

14h – Espaço Kids Latinidades: “Erês! Roda de conversa infanto-juvenis”. Participantes: Gustavo Gomes (SP), MC Soffia (SP) e Pedro Henrique Cortês (SP). Coordenadora: Renata Morais (RJ).

15h – Contação de histórias (crianças de até 6 anos), com Cecy Wenceslau.

15h30 às 17h – Oficina – “Confecção e customização de fantasias infantis”, com Ednilson Catanhede, Renata Morais e Elis Catanhede (RJ).

16h – Latinidades Sustentável – Oficina: Horta e alimentação saudável para crianças, com Juarez Martins.

14h30 às 18h30 Oficina – Rotas Mocambolas no Latinidades, com Casa de Cultura Tainã, Ocupação Cultural Mercado Sul Vive! e Rede Mocambos – com a presença de Mestre TC.

16h às 17h – Oficina – “Turbantes”, com Juliana Yemisi Luna (SP).

Shows Latinidades (área Externa do Museu Nacional)

19h30 – Arielly

20h10 – Donas da Rima (DF)

20h50 – MC Soffia (SP)

21h30 – Beth D’Oxum e Coco de Umbigada

22h20 – Rico Dalasam

23h10 – Dream Team do Passinho (RJ)

0h – Okwei V Odili (Nigéria)

1h – Hope Clayburn (EUA)

31/7 (domingo)

11h às 21h – Feira Latinidades

14h às 15h30 – Slam A Coisa Tá Preta! – Batalha de Poesia, com Tati Nascimento e Meimei Bastos (DF).

14h às 17h – Espaço Literário. Lançamentos: Ana Caroline da Silva e Whellder Guelewar (orgs.) – “Terça Afro – Território de afetos”; Bruna Cristina J. Pereira – “Tramas e dramas de gênero e de cor”; Cristiane Sobral – “Não vou mais lavar os pratos”- 3ª ed. revisada e ampliada; Davi Nunes – “Bucala – A pequena princesa do quilombo do Cabula”; Francielle Costacurta – “Poesia em primeira pessoa”; Goli Guerreiro – “Alzira está morta”; Gustavo Gomes – “Meu universo”; Jarid Arraes – “As lendas de Dandara” e diversos cordéis; Lívia Natália – “Correntezas e outros Estudos Marinhos”; Maria de Lourdes Teodoro – “Identidade cultural e diversidade étnica – Négritude africano-antilhana e Modernismo brasileiro”; Maria Nilda (Dinha) – “Zero a Zero: 15 poemas contra o genocídio da população negra”; Mel Duarte – “Negra nua crua”; padê editorial: “{Penetra-Fresta}”, de Bárbara Esmenia; “lundu”, de tatiana nascimento; “interiorana”, de Nívea Sabino; Taís de Sant’Anna Machado – “De Dendê e Baianidade”. Lançamento especial da Revista Traços.

14h30 às 16h – Oficina – “Maquiagem para pele negra – Projeto Negras do Brasil”, com DaMata Makeup (SP).

15h às 18h – Espaço Kids Latinidades: Bailinho à fantasia, com Crespinhos SA (RJ).

14h às 20h30 – Oficina – “Vivência de Percussão, Dança, Canto e História Tradicionais da cultura Yorùbá”, com Ìdòwú Akínrúlí (Nigéria).

14h às 17h – Oficina – “Parte I – Percussão”.

17h30 às 20h30 – Oficina – “Parte II – Dança”.

Fonte: Correio Braziliense
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