Renato Alves/CB/D.A press

Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Jovem Socialista (UJS) e da União de Secundaristas do Distrito Federal (UES/DF) reuniram-se, na tarde desta terça-feira (24/8), em frente à Câmara Legislativa, para protestar contra os parlamentares investigados na operação Drácon, deflagrada ontem, pela Polícia Civil. O grupo leva faixas e cartazes com os dizeres “Propinão CLDF Vergonha”, “Fora Celina Leão” e “Cadê os 30 mi?”.

Os nove estudantes hastearam faixas; bateram tambores; entoaram os dizeres “Celina Leão mentiu na televisão e enganou a população”, “Fora, Celina” e “Celina Leão fugiu com o propinão”; e limparam a parte frontal da cúpula com vassoura, água e sabão. O movimento durou cerca de 30 minutos.
A presidente da UES/DF, Thaís de Oliveira, declarou que o movimento reivindica mais transparência e rapidez durante as investigações. Alegou, porém, que ninguém deve se precipitar ao apontar culpados sem provas. “Queremos saber se realmente houve pagamento de propina. Pra onde foi esse dinheiro? Não solicitamos o afastamento total dos envolvidos, porque não há evidências irrefutáveis. Mas desejamos resultados mais rápidos”, comentou.
Minervino Junior/CB/D.A Press
A vice-presidente da regional da UNE, Luiza Calvette, ressaltou a importância da mobilização popular durante investigações de casos com tamanha dimensão. Afirmou, ainda, que a juventude brasiliense tem o poder de conquistar quaisquer melhorias na política. “Historicamente, os jovens estão à frente da exigência de demandas. Um bom exemplo disso foi o movimento dos caras-pintadas”, relembrou. Ela destacou, por último, que, em decorrência da precariedade dos serviços do Distrito Federal, a população deve estar sempre atenta aos movimentos dos distritais.

Os estudantes prometeram reunir um número maior de manifestantes para encorpar o movimento e pressionar a Câmara na próxima semana.  Até o momento, a ocupação da Casa é descartada.

Entenda o caso

Agentes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão na CLDF e de condução coercitiva contra cinco deputados da Casa, além de três funcionários, ontem (23). A corporação busca provas da prática de crimes de corrupção ativa, passiva ou concussão, envolvendo o pagamento de propina de R$ 31 milhões a parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), e os deputados Cristiano Araújo (PSD), Raimundo Ribeiro (PPS), Bispo Renato (PR) e Júlio César (PRB) prestaram depoimento na manhã de ontem, na Delegacia de Combate aos Crimes contra a Administração Pública (Decap).

Cristiano Araújo é citado como articulador do esquema. Segundo Liliane Roriz, que denunciou o grupo, ele conseguiu o “negócio” das UTIs. Raimundo Ribeiro (PPS), Bispo Renato Andrade (PR) e Júlio César (PRB), além de Celina e Liliane, seriam os beneficiários da operação fraudulenta.

Fonte: Correio Braziliense
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