“No segundo trimestre deste ano, o Brasil tinha 15,2 milhões de lares onde ninguém trabalhava, 2,8 milhões a mais do que no mesmo período de 2014 – um incremento de 22%. Isso significa que um em cada cinco domicílios (21,8% do total) não tinha renda fruto do trabalho (formal ou informal)”, estampa reportagem publicada no jornal Valor Econômico nesta terça-feira (29).

 

Matéria Valor Econômico

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“Em um de cada cinco lares do país ninguém tem renda do trabalho”, enfatiza a matéria baseada no levantamento realizado pelo próprio jornal pelos pesquisadores Samuel Franco e Suiani Febroni, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets) e da Oportunidades, Pesquisa e Estudos Sociais (OPE Sociais), a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o Brasil 247, a pior crise econômica que pesa sobre as famílias brasileiras é “a destruição econômica produzida pelo golpe de 2016 – uma conspiração liderada por Michel Temer, Aécio Cunha e Aécio Neves, hoje os três políticos mais rejeitados do Brasil”.

“A crise colocou muitos chefes de família para fora do mercado de trabalho. Em muitos lares, cônjuges e filhos também foram demitidos. Membros da família tiveram que buscar emprego para recompor a renda, mas poucos conseguiram. Esse é o motivo mais provável para o resultado da pesquisa. São lares que estão agora sem renda do trabalho e que passam por um momento difícil”, diz o pesquisar entrevistado pelo Valor.

O país tinha 13,5 milhões de pessoas desempregadas no segundo trimestre, mais do que o dobro apurado pelo IBGE nos três últimos meses de 2014 (6,4 milhões).

Ausência de políticas públicas

Segundo a reportagem, os pesquisadores avaliam a importância das políticas públicas e programas de transferência de renda em momentos de crise no mercado. “O indicador chama atenção para a importância do funcionamento eficiente das políticas assistenciais, de forma que as famílias que perderam sua fonte de renda possam se manter até recuperar a situação ideal”,

De acordo com o Brasil 247, “isso demonstra que a recessão provocada primeiro pela Lava Jato e pela política do “quanto pior, melhor”, que antecedeu o golpe, e depois pelo desastre Temer-Meirelles, atingiu diretamente as famílias brasileiras.

As estatísticas apontam que os mais pobres e menos escolarizados são as principais vítimas da falta de renda. Em 12% dos lares de pessoas com nível superior completo não havia ninguém empregado no período pesquisado. Entre os que tinham o fundamental incompleto a taxa de ninguém empregado subiu para 32% dos lares. Em ambos os casos, os percentuais aumentaram em relação a 2014.

Em agosto de 2016, matéria publicada no Portal Vermelho informava que “o presidente provisório Michel Temer solicitou retirar do texto das Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) os trechos que faziam referência à distribuição de renda, ao fortalecimento dos programas sociais e à execução de políticas redistributivas como objetivos ou compromissos de sua política fiscal”.

Na ocasião, o professor de econômica da Unicamp, Márcio Pochmann afirmou: “É até coerente [a retirada dos trechos da LDO], à medida que o governo manifesta uma espécie de rompimento com os governos de coalizão de classe anteriores. Podemos defini-lo como um governo classista, voltado aos interesses dos proprietários do capital, dos donos do dinheiro”.

A região nordeste é onde se apresenta o quadro mais grave. São cerca de 5 milhões de lares onde não há ninguém empregado. Alagoas é o estado em que os chefes de famílias enfrentam mais dificuldade. A região Norte é onde as estatísticas são menos desfavoráveis. Em São Paulo, o indicador está próximo da média nacional 18,7% dos lares não tem ninguém empregado, situação que se agrava desde o final de 2016.

Estrago feito, a pesquisa diz também que o número de lares sem ninguém empregado parou de piorar. Pesquisa divulgada em 17 de agosto apontou para 26,3 milhões de desempregados no país. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. A taxa considera a subutilização da força de trabalho e agrega os trabalhadores desempregados, aqueles que estão subocupados (por poucas horas trabalhadas) e os que fazem parte da força de trabalho potencial (não estão procurando emprego).

Do Portal Vermelho, com agências

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