Cientistas buscam seu lugar nas Eleições 2018

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Em busca de mais apoio e maior representação na política nacional, entidades científicas preparam propostas para serem levadas aos candidatos e repensam sua estratégia de engajamento político. Há quem pense em se lançar candidato, para atuar diretamente dentro no sistema

Combalidos por uma sequência de cortes orçamentários e diversas tentativas frustradas de transformar a ciência numa prioridade de Estado, cientistas brasileiros apostam nas eleições deste ano para conquistar mais apoio e, quem sabe, até aumentar sua representatividade no cenário político nacional, elegendo cientistas para o Congresso e para as legislaturas estaduais.

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) devem divulgar nos próximos meses uma série de documentos endereçados aos futuros candidatos do Executivo e do Legislativo, delineando propostas e prioridades para o setor — entre elas, a recomposição do orçamento federal de Ciência e Tecnologia (reduzido pela metade nos últimos cinco anos), a recriação do MCTI como ministério único (separado das Comunicações), a desburocratização dos sistemas de pesquisa e o fomento à inovação, tanto na esfera pública quanto na indústria.

O primeiro deles, entitulado Ciência, Tecnologia, Economia e Qualidade de Vida para o Brasil — Documento da ABC aos Candidatos à Presidência do Brasil 2018, foi divulgado no início desta semana (pdf abaixo).

Documento

A estratégia é usar esses documentos para se aproximar dos candidatos com uma agenda positiva, de propostas claras e convincentes, que eles possam incorporar às suas campanhas com facilidade. E assim inserir o tema da Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) no debate político nacional.

“Boas propostas e ideias não faltam; o que falta são os políticos reconhecerem a importância da ciência para o desenvolvimento do país”, diz o físico Luiz Davidovich, presidente da ABC e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os candidatos à presidência serão convidados a visitar a sede da ABC no Rio, para conversar com cientistas e receber o documento em mãos.

“A maioria dos candidatos ainda não tem a percepção de que a economia do século 21 é a Economia do Conhecimento” diz a pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente de honra da SBPC, Helena Nader. “Não é porque a ciência é bonita, é porque ela é indispensável para o desenvolvimento econômico, social e sustentável que o Brasil precisa.”

Até o final de junho a SBPC planeja realizar uma série de oito seminários sobre “Políticas públicas para o Brasil que queremos”, para alinhavar propostas e mensagens da sociedade aos candidatos. O primeiro encontro foi realizado no dia 13 de abril, no Recife, sobre Ciência, Tecnologia e Inovação. Os próximos sete abordarão Desenvolvimento Sustentável, Saúde Pública, Educação e outros temas. Veja a programação aqui: https://goo.gl/SHxcye.

Esforços semelhantes já foram feitos no passado, e Helena reconhece que sua efetividade é limitada, mas é o mínimo que a sociedade precisa fazer: informar os candidatos e municiá-los com pautas e propostas adequadas. Uma inovação deste ano será a elaboração de documentos específicos para cada Estado, além das propostas federais.

Candidaturas

Além dessa estratégia mais comum de convencimento, há quem esteja disposto a fazer política com as próprias mãos, em vez de delegá-la a terceiros. Entre eles, o médico Jorge Venâncio, presidente da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) desde junho de 2013.

Depois de cinco anos negociando com parlamentares sobre a regulamentação de pesquisas clínicas, ele chegou à conclusão que a única maneira de fazer as reformas necessárias era passando para o outro lado do balcão. Venâncio planeja se lançar candidato a deputado federal pelo Partido Pátria Livre (PPL) — uma legenda jovem e pequena, registrada apenas em 2011.

“Tenho consciência de que é uma briga de Davi contra Golias; que vamos enfrentar pessoas com muito mais recursos”, disse Venâncio ao Estado, em sua primeira entrevista sobre o assunto. Ele espera angariar o apoio de médicos, cientistas e associações de pacientes para se eleger, usando como plataforma o trabalho desenvolvido à frente da Conep — órgão do Conselho Nacional de Saúde (CNS), responsável por autorizar e supervisionar pesquisas com seres humanos — e a “indignação da população com todo esse esquema que está aí”.

“As pessoas decentes têm de se colocar na disputa, porque se não, vai continuar tudo como está”, diz. “É necessário tentar, pelo menos.”

É um discurso semelhante ao que o antropólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), planeja usar em sua campanha a deputado federal, também pelo PPL. Sua pré-candidatura (noticiada em primeira mão pelo Estado em 23 de março) foi lançada por um grupo recém-formado de professores da USP, chamado Cientistas Engajados, com cerca de 50 membros.

“O movimento dos Cientistas Engajados surgiu de um grupo de pesquisadores que propõe que a comunidade científica tenha um maior protagonismo nos destinos do país. É um movimento político que tem por objetivo colocar cientistas no Congresso Nacional e nas assembleias estaduais”, diz o manifesto do grupo, divulgado publicamente nesta semana.

Além de Neves, o grupo indicou a analista internacional Mariana Moura, doutoranda no Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, como candidata a deputada estadual em São Paulo.

Fonte: O Estado de

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